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Martha Ferreira

Por Martha Ferreira

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Etanol: Energia Limpa

16 de maio de 2007

Os biocombustíveis são fontes de energia renovável, derivados de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar, plantas oleaginosas, biomassa florestal e outras fontes de matéria orgânica. São exemplos de biocombustíveis: etanol, biodiesel e carvão vegetal.

O etanol ganhou evidência desde que a ONU fez um assustador alerta sobre o aquecimento global, pelo uso de combustíveis fósseis, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que planejava aumentar o consumo de álcool combustível em seu país, passando dos atuais 18 bilhões para 132 bilhões de litros anuais, até 2017.

Os Estados Unidos (35,1%) e o Brasil (34,8%) são os dois maiores produtores de etanol do mundo - seguidos pela China (8,3%), União Européia (5,5%) e Índia (3,7%) -, estabeleceram um objetivo para ampliar o comércio bilateral, até 2010, e procuram maneiras para criar um mercado global para o biocombustível, por meio da promoção de padrões comuns.

Então, os planos da Petrobrás, em função do acordo entre os dois países, passaram por algumas mudanças: a produção deve saltar dos atuais 17 bilhões para 25 bilhões de litros por ano, em 2010; serão investidos até US$ 2,4 bilhões para exportar 3,5 bilhões de litros, a partir de 2011; terá participação acionária em até 40 novas usinas; construirá uma rede de transportes para exportação de álcool de regiões produtoras no Sudeste, Centro-Oeste e parte do Sul; além de criar terminais de recebimento do produto no Japão.

O Espírito Santo possui 06 usinas: Albesa, em Boa Esperança; Alcon e Disa, em Conceição da Barra; Cridasa, em Pedro Canário; Lasa, em Linhares; e Paineiras, em Itapemirim. Juntas, vão produzir 600 milhões de litros de álcool, até 2010.

O grupo inglês Infinity Bio-Energy planeja investir, até 2010, R$ 1,2 bilhão na ampliação e construção de cinco usinas. Serão ampliadas a Alcana, em Nanuque, leste de Minas Gerais e a Cridasa, em Pedro Canário, norte do ES.  Serão implantadas duas usinas, nos municípios de Montanha e Mucurici, também no norte do ES, e uma terceira será construída no sul da Bahia. A estimativa de geração de empregos é da ordem de 17 mil. O Grupo Simão e a Coimex Trading também pretendem construir uma usina, no município de Montanha, cujo investimento previsto é de R$ 400 milhões, e deve gerar 3,5 mil empregos diretos.

O norte do Espírito Santo, nordeste de Minas Gerais e sul da Bahia já se transformaram em um novo pólo de álcool brasileiro. Isso ajudará o Brasil a abastecer o mundo em um momento único de oportunidades para o setor, uma vez que grandes consumidores de biocombustíveis como Estados Unidos, China, União Européia, Índia, Japão, Indonésia e Austrália, já se articulam para substituir, gradativamente, a gasolina pelo etanol.

O Brasil é o segundo maior produtor de álcool do mundo, o maior exportador e o segundo maior consumidor. Faturou US$ 06 bilhões, em 2006 e espera faturar US$ 15 bilhões, em 2010. Mas, antes de tornar-se um grande fornecedor internacional de biocombustíveis, o Brasil precisa resolver uma série de desafios para viabilizar a expansão do uso do etanol nos países ricos e em desenvolvimento:

  • se precaver dos riscos que uma eventual explosão da demanda internacional pode ter para o abastecimento do mercado interno; 
  • evitar uma expansão desordenada das lavouras de cana, discutindo a introdução de um zoneamento geográfico para as plantações; 
  • criar normas mais rígidas para o licenciamento das usinas de álcool, em consonância com as exigências sócio ambientais dos mercados compradores; 
  • tratar o etanol como combustível e não como produto agrícola; 
  • convencer mais países a aumentar a mistura do etanol na gasolina; 
  • quebrar barreiras econômicas; 
  • capacitar mão-de-obra; 
  • investir mais em ciência e tecnologia; e 
  • chegar na "alma" da questão, que é a logística, transporte e acesso aos mercados.

Entre os produtos agrícolas usados para a produção do etanol a produtividade da cana brasileira, quando comparada a outros, é insuperável. O milho americano, por exemplo: são 7.300 litros de álcool de cana por hectare contra 3.000 litros do milho; para cada unidade de energia que se gasta na produção do álcool de cana obtém-se 08 unidades de energia do etanol, contra 02 unidades no uso do milho; o custo do etanol de cana brasileiro custa US$ 0,20 por litro e o do milho americano US$ 0,47; e o mercado de etanol brasileiro, ao contrário do americano, não depende de subsídios do governo.      

Além disso, o Brasil dispõe de 90 milhões de hectares de terras não cultivadas; condições climáticas favoráveis para as plantações de cana; e a superioridade do Brasil nas áreas do conhecimento, tecnologia e equipamentos, e no domínio da produção de etanol, é reconhecida internacionalmente, colocando-o na vanguarda. Esse conjunto de potencialidades não se repete em nenhum outro país.    

Então, se o mundo escolher usar combustível limpo, a indústria brasileira é a única em condições de ser uma fornecedora de álcool em escala global.

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