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Indústria naval está preparada para crescer, diz Abenav
Começou a operar, na segunda-feira, (09/07), o navio de produtos Sérgio Buarque de Holanda, construído pelo Estaleiro Mauá, do Rio de Janeiro. O petroleiro é a segunda embarcação entregue pelo Estaleiro Mauá e a terceira construída dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), responsável pela revitalização da indústria naval brasileira. Com 183 metros de comprimento, 43,8 metros de altura e capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto, o navio fará o transporte de produtos derivados claros de petróleo (gasolina e diesel) entre os estados do país. Ainda não foi decidida qual será a primeira viagem do Sérgio Buarque de Holanda. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, a indústria naval do país vive um momento "mágico": “existe mercado, o governo está incentivando, temos apoio da Petrobras e participação do sistema financeiro. A indústria está estruturalmente preparada”, disse ele. Segundo informações da Transpetro, as encomendas do Promef trouxeram investimentos para a modernização do parque naval existente no país e para a implantação de três novos estaleiros: o Atlântico Sul (em operação) e o STX-Promar (em construção), em Pernambuco, e o Estaleiro Rio Tietê (em construção), em São Paulo. A construção do Rio Tietê aconteceu graças às encomendas do Promef Hidrovia, responsável pela operação de comboios para o transporte de etanol pela Hidrovia Tietê-Paraná. Encomendas “Trabalhamos com uma expectativa de reserva na faixa de cem bilhões de barris de petróleo. As primeiras avaliações do pré-sal são de 40 bilhões de barris, então a gente chega a cem bilhões tranquilamente. A Petrobras tem uma expectativa de produção de quatro milhões de barris ao dia em 2020. Para isso, vai ter que ter equipamentos”, explica ele. Mais plataformas, barcos e petroleiros “Temos o desafio de cumprir o conteúdo local com competitividade. Todos os desafios colocados para a indústria naval têm sido cumpridos tanto em relação ao conteúdo local como a prazos. Queremos ter uma indústria que seja referência mundial”, disse Augusto Mendonça. Segundo Mendonça, a indústria naval brasileira atinge índices de conteúdo local de 65% a 70%. Para ele, a política de conteúdo local não deve ser vista como uma reserva de mercado e sim como uma grande oportunidade para o Brasil desenvolver sua indústria com competitividade. “Isso é uma coisa importante e grande. Agora, temos que trabalhar a competitividade para fazer nossa referência de preço ser internacional. Nossa missão é atrair cada vez mais fornecedores, com tecnologia mais avançada, para ter um índice de competitividade bom”, disse ele. Mendonça diz que o setor vive o pleno emprego, com 60 mil pessoas empregadas em estaleiros e expectativa de atingir cem mil em 2016. “A mão de obra é de boa qualidade, o difícil é achar gente para contratar, tem pouca oferta”, reclama Mendonça, que diz que cada emprego criado num estaleiro gera mais de sete na economia. Brasileiros na Coreia O Amaralina Star será entregue pelo estaleiro em junho e o Laguna Star em setembro e devem entrar operação no Brasil em outubro e dezembro, respectivamente. “O Amaralina Star e o Laguna Star são capazes de operar em lâmina d’água até três mil metros e poços de até 12 mil metros de profundidade, projetados para operar em águas ultra-profundas, particularmente na área do pré-sal”, disse Leduvy Gouvea, diretor-geral da QGOG. Os dois navios-sonda estão afretados para a Petrobras em um contrato de seis anos de duração, com opção de renovação por mais seis anos. Os serviços de perfuração serão de responsabilidade da QGOG. Condomínio de navipeças no Rio “Estamos trazendo para o Rio um projeto de implantação de um condomínio de navipeças que tem como principal objetivo oferecer uma área com logística integrada, com apoio de treinamento e com acesso hidroviário e saída para o mar. Estamos trabalhando no projeto desde agosto de 2011”, disse Gurgel. Ele não deu detalhes de onde será implantado o condomínio nem das empresas interessadas em participar, mas disse que a área inicial do projeto é de 500 mil metros quadrados podendo ser expandida até 20 milhões de metros quadrados contíguos. A implantação está planejada pra o período de 2013 a 2016, disse Gurgel. O Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval) tem 52 estaleiros associados, com 25 de maior expressão. Desses, 22 estão no Rio de Janeiro, explica Gurgel. “Temos um cluster na Baía de Guanabara que processa cerca de 60 % do aço naval brasileiro. Considerando toda a força de trabalho registrada para o processamento de aço naval, o Rio tem mais da metade da força mão de obra brasileira. Temos os estaleiros mais importantes, força de trabalho, quantidade de encomendas e de processamento anual de 60%, centro de referência tecnológica no Parque do Fundão, onde o Cempes desenvolve inovação e tecnologia para a indústria naval e offshore. Quando se junta indústria, tecnologia, força de trabalho, política pública e governança, não tem outro caminho a ser seguido do que preparar um projeto para discutir o segundo e o terceiro elo da indústria naval, que é a cadeia de navipeças”, disse Gurgel.
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