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'Exploração do Pré-Sal exige geração de conhecimento', diz presidente da Assespro

30 de julho de 2012

O investimento no desenvolvimento de tecnologia para dar suporte à exploração de óleo e gás é visto como uma das prioridades do atual governo brasileiro.

De acordo com o presidente da Associação das Empresas Brasileiras da Tecnologia da Informação (Assespro-RJ), Ilan Goldman, caso estas medidas não forem tomadas, o Brasil terá que buscar o desenvolvimento de empresas estrangeiras.

Ilan Goldman, que participa no próximo dia 6 de agosto do seminário "Competitividade da cadeia de Óleo e Gás e o papel da TIC", aponta como as principais deficiências da indústria brasileira a escassez de profissionais de automação, problemas relacionados à logística e infraestrutura, falta de capacitação da indústria e necessidade de 60% de conteúdo local na contratação de equipamentos e serviços.

Confira abaixo a entrevista completa do presidente da Assespro, onde ele fala do papel da TI no setor de óleo e gás e de quais são as suas expectativas em relação ao Pré-Sal.

Qual o maior entrave encontrado pela área de TI no suporte à indústria de óleo e gás?

I.G.: O modelo que a Petrobras tem adotado — como principal contratante — é por meio do sistema de empresas "guarda-chuva". Em síntese, ela contrata uma grande empresa guarda-chuva e rateia o trabalho pelo número de pessoas disponíveis para tocar o projeto. Com isso, não há retenção de conhecimento. É como uma atividade em que a pessoa vai, resolve o problema e parte para a próxima tarefa. Assim, quando se precisa de algo que exija conhecimentos técnicos, os quais poderiam ter sido adquiridos ao longo de outros projetos, acaba-se recorrendo a alguma indústria fora do Brasil. Enquanto isto não mudar, será difícil reter conhecimento em petróleo e gás. Seja como for, acho que a Petrobras já se conscientizou de que este é um modelo a ser aperfeiçoado.

No contexto dos ajustes necessários para o cronograma do Pré-Sal não atrasar, qual a importância do setor de TI?

I.G.: Para responder a esta pergunta, convém termos a real dimensão de quanto representa a tecnologia da informação no preço final de uma plataforma. Em termos absolutos, a TI é muito pequena — provavelmente menos que 1%, bem menos. Em contrapartida, se ela não funcionar, os 99% restantes simplesmente não funcionam. Sem TI não há comunicação e cálculo de dados, não se fazem projetos nem previsões, não existe segurança e não há modelos. Quando se vai fazer uma perfuração, por exemplo, há toda uma modelagem de estatísticas para saber qual é a chance de ter óleo naquele lugar. Isso é totalmente TI, e por aí se pode deduzir o quanto o setor é de fundamental importância para o Pré-Sal.

Além de ajustes a ser feitos no setor de TI, há problemas nas demais áreas a serem demandadas pelo Pré-Sal?

I.G.: Há certamente entraves a resolver. A escassez de profissionais de automação pode comprometer projetos como sistemas de segurança para plataformas e sistemas de controle para refinarias. Existem problemas relacionados à logística, pois o óleo se encontra a 7 mil metros — profundidade jamais alcançada na exploração de petróleo em todo o mundo. A necessidade de 60% de conteúdo local, embora não seja um problema na área de TI, pode realmente tornar-se um empecilho em outras áreas.
Em vista desta situação, quais os principais desafios?
I.G.: O seminário "Competitividade da cadeia de Óleo e Gás e o papel da TIC" tem o objetivo de discutir essas questões. A meu ver, um dos principais desafios é capacitar a indústria nacional para que ela cumpra a legislação sobre conteúdo local. Outro ponto delicado diz respeito à geração e retenção de conhecimentos técnicos para toda a cadeia que presta serviços à indústria. Precisamos rapidamente diagnosticar estes e outros pontos críticos e promover soluções práticas que encurtem o tempo da capacitação, de investimentos e de planos.

O governo tem criado políticas de incentivo ao setor de TI?

I.G.: Todo mundo sabe que o governo pode incentivar a indústria do conhecimento a partir de uma leitura crítica do papel da universidade, da academia e das empresas que investem em inovação e conhecimento. Infelizmente, o governo está estimulando a TI a partir da utilização de serviços de fora do país. Isto é péssimo para as empresas nacionais, pois hoje as oportunidades no Brasil são inúmeras. O setor de óleo e gás é um bom exemplo dessa política. O correto seria desenvolvermos uma indústria própria de conhecimento em TI, encontrando soluções caseiras e adaptadas aos nossos problemas. Em suma, a terceirização é a antítese do desenvolvimento e, neste contexto, o governo precisa estimular o conhecimento interno em TI para O&G. Queremos que ele faça o seu papel.

Fonte: SRZD

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